sábado, 20 de março de 2010
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Mais uma vez aquela pontualidade. Já obcecado, esperava todo dia oito como se fosse o último de minha vida. Poderia-se afirmar que era. Espectador solitário, em todos os sentidos de cada palavra e da expressão como um todo, decidi abraçar o papel de protagonista naquela história, saindo apenas do diário que ampliava mensalmente. Aprontei algumas mudas de roupa, tomei um café, um taxi, um avião.
Em meio às nuvens, viajava nas possibilidades. Maldita hipocrisia, em que momento deixamos de ser bem quistos, indagava ao cigarro, enquanto agilmente o fazia deslizar por entre os meus dedos. Um chá, por favor. E fones. Somente o improviso do Blues toca-me os ouvidos.
Afujentei o medo do novo com um cowboy duplo, doze anos, num bar próximo à simpática pousada a qual me hospedei no centro da cidade. Sabia que seria a noite mais longa da minha vida. E foi. Vi o sol nascer de relance, pelo reflexo na parede do prédio à minha frente. Antes do sol, observava silhuetas passeando por essa mesma parede, vindas de diferentes apartamentos. E para cada imagem, um personagem, um enredo. Os grandes centros urbanos têm esse lado sombrio.
Acendi o último cigarro, o primeiro daquela manhã. Fui ao modesto café da manhã, servido em uma mesa improvisada no final do corredor, próximo ao banheiro coletivo. Aquela pousada me tranquilizava, já havia estado ali antes. Pelo menos minha memória tinha aquela imagem, aquele clima familiar. Uma senhora muito simpática falava pelos cotovelos. Sem dar muita atenção, peguei uma fruta e caminhei, apressadamente.
Prédio imponente, corredores largos, pé-direito duplo na anti-sala, biblioteca invejável, vista paradisíaca, secretária particular. Sapatos impecáveis, terno alinhado, olhar penetrante porém triste. Diante daquele homem, tremi. Sentei-me e, antes mesmo de me apresentar, abri o diário e li.
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