Sabemos que foi muito mais do que juntar cartas. Eu acompanhei momentos que ninguém mais acompanhou. Eu acompanhei quando a vida dele virou duas. O coração lá, a cabeça aqui. E a cabeça senhora da razão convenceu o coração. Como um video-game: você pausa uma vida e começa outra. A primeira vida não acaba, mas passa a ser vivida somente na cabeça, na memória, na saudade. E não há tempo para sofrer, é hora de batalhar, fazer amigos, decorar nome de ruas, arranjar emprego, aprender a se virar. De uma forma ou de outra, você acaba aprendendo.
Nesse meio tempo, pessoas, ocasiões, locais (...) tudo é parte de você. E toda noite, chegar em casa. A casa amada, conquistada, suada. A casa dos sonhos no momento. E a cama de solteiro faz-se larga. O sofá vazio, a TV desligada, a louça limpa, os armários fechados. E, a cada manhã, amar o novo, a descoberta, o ensinamento, a dor. Aprender a amar a dor. Não desejá-la, mas lidar com ela. Ela sempre aparece.
Ser Arthur, ser Eduardo, ser humano. Reviver bons momentos no cinema da memória, dedicar um acabamento especial. Saber que a minha história, a sua hostória, que cada história tem um sentido. Encontrar novos. O diário feito a cada dia, com ensinamentos únicos. Materializar pensamentos, sentimentos. A rotina de um solitário, mago de minha própria existência. Marionete de mim mesmo.
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